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Enviado: qui 26/6/2008
14:46
De: Thiago de Mello
Para: Dep. Vanessa Grazziotin
Assunto: José Martí
Faz tempo, querida Vanessa, que aprendi a conversar com Martí.
Como é bom! Falo com ele no jeito maneiro que tenho
de falar com quem amo. É só me dar vontade.
Andando nas veredas da floresta, defronte do meu rio amanhecendo,
Martí nunca se faz de rogado. Só eu escuto o
que ele me diz. Embora o que ele diz vale para todo mundo.
O timbre da voz dele é profundo.
Dei
de tentar imitá-lo. Vestindo as palavras dele com a
música do nosso idioma. Não é sempre
que consigo. É proeza fascinante, mas inalcançável.
Jamais chego ao lugar do coração dele onde as
estrelas nascem. Mesmo assim, me encanta. Sou audacioso humilde.
Te digo cantando, Vanessa, e sem vanglória, que sou
tradutor brasileiro de prosa e versos do excelso poeta José
Martí, o glorioso prócer da independência
de Cuba (Quem sabe é por isso que o grande Martiniano
Armando Hart me deu um lugar no conselho do Instituto José
Martí, de Havana).
Conversei
com ele hoje de manhãzinha. Quando eu lhe disse:
“Cultivo
uma rosa branca,
Em julho como em janeiro,
Para um amigo sincero
Que me dá sua mão franca”
Ele
me advertiu, bondoso:
Y
para El cruel que me arranca
El corazón con que vivo,
Cardo, urtiga, no cultivo.
Cultivo uma rosa blanca.
Martí
sabe e até gosta do motivo porque não estou
aí no Senado, participando contente da Sessão
solene, em homenagem, altamente merecida, que, pela sabedoria
do teu coração, solidário sempre com
os pobres do mundo, rende o Brasil ao radioso sinsonte cubano
que Martí se llamó, ai, se llamó, se
llamará de por siempre.
Estou
no Amazonas, defendendo a nossa floresta, causa à qual
faz tempo me consagro. E faço questão de dizer
que Martí vem comigo, me ajudando, invencível
em seu cavalo branco, a salvar a mais preciosa fonte de vida
do planeta.
Ao
querido companheiro Ricardo Alarcón entrego um ramo
da luz do nosso rio. E reparto, com todos os meus irmãos
de pátria e de esperança, as palavras estreladas
que abrem uma carta do nosso belo homenageado José
Martí a seu filho Ismaelillo. Todos estamos muito precisados
delas:
-
Tenho Fé no melhoramento humano. Na vida futura. Na
grande utilidade da virtude.
Thiago
de Mello
Rio Andirá. Fim da cheia de 2008. |